IFPE Campus Barreiros celebra cultura surda em encontro

No dia internacional do surdo, celebrado dia 30 de setembro, jovens surdos da região de Barreiros tiveram a oportunidade de se encontrar e trocar experiências com profissionais atuantes na área durante o primeiro Encontro Setembro Azul (I ESA), promovido pelo IFPE-Campus Barreiros na quarta-feira (30).




Reunido no auditório central, o público formado por surdos e ouvintes foi saudado pelo Diretor de Ensino, Diego Paixão, que abriu o evento e incentivou os jovens surdos presentes a ingressarem na instituição. “Nosso campus desenvolve muitas ações através do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (Napne) e esperamos recebê-los em nossos cursos regulares em breve”, afirmou.
O mesmo estímulo foi reforçado pelo intérprete de Libras do Campus Barreiros e articulador do evento, Carlos Eduardo de Oliveira, que destacou o papel do campus no acolhimento da comunidade surda. “Barreiros é o único dos 15 campi do IFPE que oferece cursos de extensão para surdos. A comunidade surda precisa ocupar esse espaço. O instituto é de vocês”, incentivou.
Já a coordenadora pedagógica, Fátima Cristina Gonçalves, falou da emoção em prestigiar o evento. “É com muito orgulho que eu vejo o IFPE-Campus Barreiros aberto à inclusão, trazendo a comunidade surda para participar. Que hoje seja um novo marco”, declarou.
MOVIMENTO E LUTA
Na sequência, a programação do I ESA contou com a palestra da assistente social surda do Tribunal de Justiça de Pernambuco, Mariana Hora, sobre "A Importância e os desafios do movimento Surdo". Militante do movimento, ela compartilhou com o público sua trajetória, e destacou a história de luta e diversidade dos movimentos surdos (negro, de mulheres, LGBT, entre outros) e a importância da afirmação da cultura e identidade surdas. “É muito importante se reconhecer enquanto sujeito surdo. Não devemos ter vergonha de ser surdo, nem da língua de sinais. Vocês podem sempre evoluir. Basta se empenhar”, estimulou.
Mariana ainda ressaltou a importância de encontros como o ESA. “Um surdo precisa ver o outro para se comunicar. Precisamos passar nossa experiência para outros surdos, para que outras lideranças surdas surjam. Não se faz uma luta só, tem que ser coletiva. E essa luta é para que o sofrimento do passado não seja o mesmo do futuro”, incitou.
Já o tradutor-intérprete de Libras da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Roberto Carlos, ministrou a palestra "A inserção do tradutor-intérprete de Libras nas Universidades". Além de falar sobre a legislação, o papel e as atribuições do tradutor-intérprete, ele destacou a importância desse profissional dentro do ensino superior. “Até então, ele era mais costumeiro na educação básica, porque os surdos concluíam o ensino médio e paravam por aí. Mas isso tem mudado bastante. Muitos têm galgado o ensino superior”, explica.
Ao fim, o público foi convidado ao debate e muitos estudantes surdos dos cursos de extensão oferecidos pelo Napne/Campus Barreiros subiram ao palco para contar suas histórias e emocionaram o público. “É uma grande felicidade participar desse evento. A gente passa por muitas barreiras comunicacionais desde a infância. Momentos como esse são muito importantes para nos unirmos. Somos muito gratos ao IFPE por isso”, compartilhou Albano Alexsandro.
À tarde, a programação ainda contou com a oficina "Tradução e interpretação de músicas em Libras”, conduzida pelo o tradutor-intérprete de Libras da UFPE, Thiago Cezar. Voltada para o público ouvinte, a atividade abordou os conceitos sobre música e a maneira como ela se relaciona com os ouvintes e com os surdos. “Existe uma técnica específica. É muito diferente de uma palestra ou de uma sala de aula, por exemplo, porque envolve poesia, ritmo, além de você estar traduzindo e interpretando todo o conteúdo fielmente. É um desafio”, avalia.
HISTÓRICO
Surgido em 2011 com o objetivo de mobilizar as autoridades e a sociedade para garantia dos direitos humanos, linguísticos e culturais da comunidade surda, o Setembro Azul é, hoje, um símbolo do orgulho do movimento surdo e acontece em todo país.
“Setembro é importante, porque diversos marcos para a comunidade surda aconteceram neste mês, por exemplo: a fundação do Instituto Nacional de Surdos; o reconhecimento da profissão de intérprete de Libras, além da comemoração do dia da Língua de Sinais e do dia Nacional e Internacional dos Surdos”, explica o intérprete de Libras do Campus Barreiros e articulador do evento, Carlos Eduardo de Oliveira. “Além de trazer à tona uma história de luta, o Setembro Azul lembra que é preciso dar continuidade ao movimento. A luta continua”, conclui.

Com Informações da Assessoria
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