IFPE lança documentário sobre feminismo e agroecologia em Barreiros


Estreia do vídeo Flores de Ximenes aconteceu na última quarta-feira (05), no assentamento Ximenes e contou com a participação de agricultoras e representantes do IFPE, IFAL e Renda. Uma tarde marcada por encontro de mulheres, roda de diálogo, beleza e muita emoção. Assim foi a exibição de estreia do documentário Flores de Ximenes(2016, 20 min), promovida pelo cineclube Cine Campus IFPE Barreiros, no assentamento Ximenes, zona rural de Barreiros.
Realizado pela Assessoria de Comunicação do IFPE, com direção da jornalista Rafaela Vasconcellos e fotografia de Wellington Bravo e Thiago Riedel, o vídeo é fruto do projeto de extensão “Feminismo e Agroecologia”, coordenado pela professora Vivian Motta, e conta um pouco como um grupo de mulheres assentadas está transformando a realidade de seus lotes de terra no contexto da monocultura da cana-de-açúcar na Mata Sul de Pernambuco, através da agroecologia e dos princípios do feminismo.
Projetado na parede de um dos cômodos da antiga casa que hoje abriga a sede da Associação de Moradores do assentamento, o vídeo atraiu um público formado, em sua maioria, por mulheres, crianças e adolescentes, que se acomodaram em pé, nas janelas e em cadeiras improvisadas. Durante a exibição, a emoção tomou conta dos realizadores e das agricultoras protagonistas, que se viram, pela primeira vez, na tela.
“Eu me sinto um pouco tímida, envergonhada, porque as pessoas não enxergam o agricultor como estrela. E agora, de certa forma, nós, Flores de Ximenes, somos estrelas. A gente fica emocionada de ver a história da gente e a importância que deram à nossa proposta de plantar sem veneno. Eu acho muito importante isso, mas nem sempre as pessoas dão valor. O vídeo é bonito e espero que ajude e inspire outras pessoas, para que elas acreditem que é possível. Espero mesmo que mude alguma realidade”, compartilha Elisângela Marinho, uma das agricultoras, com os olhos marejados.
Parcerias
Além das Flores de Ximenes e extensionistas e bolsistas do IFPE-Campus Barreiros, a sessão contou com a participação de Domênica Rodrigues, da Rede Nordeste dos Núcleos de Agroecologia (Renda), estudantes de agroecologia do Instituto Federal de Alagoas (IFAL)-Campus Maragogi, membros do Núcleo de Estudo Maragogiense de Agroecologia (NEMA) e integrantes da Associação de Mulheres de Nova Jerusalém.
Na ocasião, após a exibição do documentário Flores de Ximenes, o estudante do IFAL e bolsista do programa de extensão “Minha Comunidade”, Erick Phelipe, apresentou o vídeo Comunidade Nova Jerusalém (2015), que traz depoimentos das mulheres agricultoras do assentamento rural Nova Jerusalém, no litoral norte de Alagoas, sobre o processo de inclusão e união vivenciado a partir de oficinas de artesanato promovidas pelo IFAL.
Na sequência, uma roda de diálogo, mediada pela professora do IFPE, Vivian Motta, foi palco de uma intensa troca de experiências entre os grupos de mulheres agricultoras de Pernambuco e Alagoas, estudantes e servidores dos institutos federais.
“Foi lindo, inspirador e muito valioso, porque vemos que não estamos sozinhas nessa busca por alimento saudável e emponderamento feminino. Saímos dessa sessão reenergizadas. Não só eu, como o grupo de mulheres de Nova Jerusalém. E os alunos do NEMA ficaram muito contentes com esse encontro, porque eles se sentiram pertencentes a essa causa. O mais rico foi saber que a gente não está sozinho nessa busca, que tem muitos grupos caminhando na mesma linha e que a gente pode se juntar e fazer ações conjuntas”, declarou Mônica Spinelli, professora de sociologia do IFAL-Maragogi e colaboradora do programa “Minha Comunidade”.
Lançamento no IFPE-Barreiros
O documentário Flores de Ximenes também foi lançado no IFPE-Barreiros, numa sessão promovida pelo Cine Campus quinta-feira (06) no auditório central. Mediado pela assistente social Laura Silva, o debate contou com a participação de algumas das agricultoras integrantes do grupo Flores de Ximenes, como Eliane, Sônia, Neide, Mônica e Elisângela.
Após a exibição do vídeo, elas responderam as questões trazidas por professores e estudantes de Agroecologia e dos cursos técnicos em Agropecuária e em Alimentos.
“É muito bom quando a gente encontra uma instituição que valoriza o que a gente faz e se propõe a ensinar o que a gente não sabe. Porque tem essa ideia de que agricultor é ignorante, que não sabe nada. Tem ignorância, sim, mas a gente está disposto a aprender. E a participação do IFPE é isso”, observa Elisângela.
Já a professora Vivian Motta, coordenadora do projeto, destacou a importância das agricultoras ocuparem espaços institucionais como o IFPE e da comunicação nesse processo de protagonismo.
“A presença das Flores aqui mostra a necessidade de nós revermos nossa prática enquanto pesquisadores, extensionistas e educadores, no sentido de deixar nossos beneficiários, nossos parceiros, os agricultores e agricultoras, falarem por eles mesmos. Além disso, fica clara a importância da comunicação para registrarmos nossas atividades, para que elas possam ir além dos muros do instituto e dar visibilidade ao protagonismo da comunidade”, avalia.

Com Informações da Assessoria. 


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