Espécie de morcego passa a se alimentar de sangue humano em Pernambuco

Cientistas encontraram traços de sangue humano em uma colônia de morcegos-vampiros que vivem no Nordeste do Brasil

             

Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) descobriram um comportamento estranho em uma colônia de setenta morcegos-vampiros que vivem no Parque Nacional de Catimbau, em Pernambuco: esses animais, que geralmente se alimentam do sangue de aves, estão buscando a bebida também em humanos.
Publicado em dezembro de 2016 no periódico BioOne, o estudo encontrou traços de sangue humano em três das quinze amostras de DNA analisadas. A maior preocupação dos pesquisadores em relação a essa mudança de hábito repentina é a transmissão de doenças. Morcegos são os principais transmissores da raiva – enfermidade de evolução rápida e mortal que acomete principalmente animais, mas que também pode ser transmitida aos humanos.


Comportamento estranho

Até o momento, são conhecidas três espécies de morcego-vampiro, todas nativas da América. Delas, apenas o morcego-vampiro comum – que é identificado pelo nome científico Desmodus rotundus – tem preferência pelo sangue de mamíferos. Os demais, incluindo o Diphylla ecaudata, espécie encontrada no parque nacional em Pernambuco, se alimentam basicamente do sangue de aves, como pássaros e galinhas domésticas.

Por isso, os cientistas ficaram surpresos com os resultados das análises de DNA. “Essa espécie não é adaptada para se alimentar do sangue de mamíferos”, afirmou o líder do estudo, Enrico Bernard, em entrevista ao New Scientist. Ele conta que o organismo desses animais processa melhor o sangue quando ele é fino e gorduroso, sendo mais difícil digerir um sangue mais grosso e com grande quantidade de proteínas, como é o dos mamíferos.

Segundo o cientista, esses animais provavelmente atacam moradores da região enquanto eles dormem, entrando nas casas durante a noite através de buracos nas paredes e no teto ou atacando as pessoas enquanto elas descansam em redes do lado de fora das residências. O próximo objetivo é descobrir quando, como e quantas vezes essas vítimas foram mordidas. Para isso, Bernard e sua equipe estão conversando com os moradores.
Os pesquisadores acreditam que a caça de pássaros e os danos ambientais causados pela exploração humana sejam responsáveis por essa mudança de hábito. Com a diminuição na população das aves da região, os morcegos-vampiros estão sendo obrigados a encontrar novas presas – incluindo humanos.


Fonte: Revista Veja
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