Tradição junina resiste aos estragos da cheia em Rio Formoso

São duas fogueiras tímidas - mas eficientes, argumentam -, dispostas na rua da Levada, no centro do município.

                                                                            Foto: Alfreu Tavares

Rio Formoso não terá uma programação oficial para os moradores festejarem o São João. Compreensível, afinal, a cidade passou por uma cheia arrasadora no fim de maio e muitos rioformosenses ainda estão vivendo em abrigos depois de terem as casas destruídas ou condenadas. Mas dona Ceci e dona Elizabeth, fanáticas pela festa junina, formaram um exército de duas pessoas para garantir que a data não passe em branco. São duas fogueiras tímidas - mas eficientes, argumentam -, dispostas na rua da Levada, no centro do município.


Ceci Santos, 52, mora na rua há mais de 20 anos. Elizabeth Lima, 49, há mais de 40. Não lembram desde quando promovem os festejos na rua. “Desde sempre”, arriscam. E não se pode acabar com a tradição por causa da tristeza. “Acabou-se tudo da gente. Mas a gente tá na luta, entende? Não vamos ficar sem festejar e deixar o lamento vencer. Temos saúde, então vamos brincar”, opinou Elizabeth.


Um morador da rua é normalmente quem recebe o dinheiro de uma cotinha e faz a decoração com bandeirinhas e artefatos típicos. Neste ano, ninguém se movimentou ainda. “É difícil, mas ainda tem tempo, quem sabe? vamos tentar dar um jeito”, conta Ceci.


O som da festa quase se tornou um problema. O aparelho de Ceci foi destruído com o contato com a água. Elizabeth é quem vai disponibilizar o forró. “Meu rádio foi a primeira coisa que eu salvei quando vi a água começando a subir. Não tinha jeito de ficar sem ele. A festa não ia ter graça”, revelou. Na rua, a enchente chegou a cobrir o canteiro central.


A dupla lamenta a falta de união entre os vizinhos da rua. “Alguns são evangélicos, alguns muitos idosos, outros não se interessam ou ficam acanhados. Eu queria mesmo era poder me juntar com todo mundo para fazermos uma grande quermesse, com quadrilha, canjica, com todo mundo brincando”, explicou. “Não é desanimado mesmo com poucas pessoas, mas não custa sonhar mais alto.”

Folha PE


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