Após 7 anos e duas enchentes, moradores de Barreiros esperam casas prometidas em PE

Um dos municípios mais castigados pelas chuvas de maio deste ano, a cidade de Barreiros, na Mata Sul de Pernambuco, já havia sido parcialmente destruída pelas enchentes em 2010. Sete anos depois, alguns moradores, que haviam perdido as casas, ainda esperam por um novo lugar para morar. Outras pessoas decidiram não esperar e invadiram os imóveis desocupados.


A promessa das doações das casas foi feita em 2010, pelo governo do estado, em parceria com a Caixa Econômica Federal. Era o projeto reconstrução de assistência às 25 cidades atingidas pelas enchentes e às 27 mil pessoas vítimas das cheias.


Depois das chuvas, foram feitos cinco loteamentos, em Barreiros. As casas construídas em um deles ainda não foram entregues. Quem perdeu as habitações na enchente espera até hoje por um novo lugar pra morar.


A dona de casa Ana Lúcia Rocha continua na mesma casa, que inunda sempre que chove forte. Já perdeu e teve que comprar todos os móveis três vezes. Desde 2010, quando fez o cadastramento de vítima de enchente, espera pela habitação prometida como doação do governo do estado.


“Eu queria ganhar. Pelo menos, a gente sairia daqui. Não teria água para destruir o que a gente construiu. A gente compra as coisas com dificuldade e, num segundo, se vai tudo”, disse.


Em 2014, as construções estavam paradas. A empresa responsável pelas obras tinha abandonado a construção, alegando defasagem no preço do serviço contratado. Quase dois anos depois, outra empresa assumiu o projeto.

                                                                            (Foto: Reprodução/TV Globo)

Na Fazenda Santa Clara, também em Barreiros, 958 unidades residenciais continuam sem donos, sete anos após prometidas. De acordo com a Caixa, responsável pela obra, a previsão é de que todas sejam entregues no dia 25 de agosto deste ano.


Assim como nos outros loteamentos, uma parte das casas é vendida, com financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida. Das 958 casas, 749 vão ser vendidas e outras 209 vão ser doadas às vítimas da enchente.


Secretário executivo da Defesa Civil de Pernambuco, responsável pelo cadastro das pessoas, coronel Fábio Rosendo afirma que não houve falha no cadastro e a divisão foi consequência da atualização das informações das famílias.


“A demanda de distribuição dessas casas, em 2010, era apenas para os beneficiários da operação reconstrução. Em seguida, com o avanço e recadastramento desses beneficiários sobraram unidades e a Caixa entrou com o Minha Casa Minha Vida. Não houve falha no cadastro. Tivemos recadastramentos de dois em dois anos pra saber se realmente a pessoa tinha. Houve desistentes, pessoas foram embora do município ou não se enquadraram. São casos de falecimento, falta de documentos e outros fatores”, disse Fábio.


De acordo com a secretaria de Planejamento do estado, outras 3.085 casas já foram entregues às famílias. Entre as moradias, existem casas já modificadas, com garagem. Outras que continuam fechadas e algumas, arrombadas. Várias casas foram ocupadas irregularmente por famílias vítimas das enchentes deste ano.


“Tava tudo destruído. A gente arrumou e limpou. Instalamos vaso sanitário e ficamos até hoje. Não tinha onde ficar, era a única opção. Na rua a gente não iria ficar, então, viemos para cá”, disse a cabeleireira Fernanda Mendonça, uma das vítimas da enchente de maio deste ano.

                                                                              (Foto: Reprodução/TV Globo)

A dona de casa Gleiciane da Silva alugou por R$ 100 uma das casas que não são usadas pelos donos. Bem do lado, existem mais de cem prontas mas que ainda não foram entregues. “Estamos lutando para ter uma casa. Todo dia, eles olham e não dão solução. Não falo só por mim, mas por todo mundo que precisa de uma moradia, porque não só eu estou sofrendo”, apelou.


De acordo com a Caixa, as primeiras casas construídas que já foram entregues e não estão ocupadas pelos moradores serão transferidas para outras pessoas. As moradias que estão em obras aguardam a finalização dos serviços de esgoto e de energia elétrica para serem entregues à população.


Ainda de acordo com a caixa, o trabalho social junto às famílias e as questões de segurança são de responsabilidade da prefeitura, da Defesa Civil e da polícia. A Polícia Militar afirmou que é responsável pelo policiamento nas ruas e a preservação da ordem pública, mas quem cuida da segurança de imóveis particulares é o proprietário. Neste caso, a Caixa Econômica.


G1
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About Barreiros Esta é a Cidade

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