Pescadores se engajam para recuperar produção de peixe e camarão


Ao longo dos anos, devido à pesca desordenada, os pescadores viram a quantidade de camarão e peixe diminuir e sentiram o impacto na renda.




Recuperar a produção pesqueira e ajudar famílias dos municípios de Tamandaré, São José da Coroa Grande, Sirinhaém e Rio Formoso englobados pelas Áreas de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais e Guadalupe, que dependem da atividade para sobreviver, é um dos objetivos da campanha Por Orgulho, iniciativa da ONG Rare. Ao longo dos anos, devido à pesca desordenada, os pescadores viram a quantidade de camarão e peixe diminuir e sentiram o impacto na renda. A recuperação será possível por meio de técnicas de marketing social usadas para estimular o melhor manejo e conservação dos recursos naturais.


Neste sábado (28) e neste domingo (29), a campanha será lançada no Estado para dar início à fase de treinamento dos pescadores. Em cada comunidade, os moradores escolheram uma espécie símbolo para defender. Na área da APA Costa dos Corais, os moradores escolheram três espécies de camarão. De acordo com o presidente da colônia de pescadores V5 de Tamandaré e coordenador da campanha na APA dos Corais, Severino Ramos dos Santos, a escassez de camarão provocou um impacto de, pelo menos, 50% na renda dos pescadores, na comparação com o ano passado. “O inverno é a melhor época para pescar camarão. Ano passado, por semana, uma pessoa recebia, em média, R$ 400 a R$ 500. Este ano, está recebendo, em média, R$ 200 a R$ 300. A produção caiu 80% no mesmo período”, explica.


Para mudar esta situação, Severino arregaçou as mangas e iniciou um mapeamento da produção na colônia que lidera, formada por 80 pescadores, e da lama onde os camarões vivem. “É um trabalho difícil, mas é necessário. No lançamento da campanha, vamos plantar uma semente para o futuro. Estou fazendo isso para que minhas filhas e meus netos vejam mais camarão por aqui”, diz.


Reprodução prejudicada


Segundo a gerente de programas da Rare, Natali Piccolo, a população de camarão na área está sobrepescada. Isso significa que a pesca é tão intensa que os camarões não conseguem se reproduzir. “Queremos adotar um acordo de pesca, estabelecer um rodízio. Os pescadores vão concentrar as atividades em uma área da lama, enquanto os camarões se reproduzem em outra parte até transbordar a população. Já temos uma pesquisa de um ano em que coletamos dados sobre a região e agora vamos treinar os pescadores para fazer o monitoramento da produção, pesar e identificar as espécies. Também queremos usar um aplicativo para rastrear a embarcação. Assim, vamos propor a melhor estratégia de recuperação”, afirma.

Já na APA de Guadalupe, o animal escolhido foi a tainha. Lá, o problema para a diminuição da população é que os peixes são pescados no complexo estuarino de Rio Formoso, Sirinhaém e Tamandaré, quando estão crescendo ou se reproduzindo. Eles estão avaliando a malha das redes usadas na arte de pesca chamada camboa, que prende peixes muito pequenos. Além disso, o grupo está juntando informações para criar uma reserva extrativista na região, uma área de proteção a nível federal, em que a tomada de decisões ocorre em um modelo de cogestão, com participação ativa da comunidade.

“Perdemos 30% a 40% da produção do pescado. Queremos a conservação e a instituição de uma reserva extrativista. Mais de 1,5 mil pescadores da região se beneficiam do projeto”, explica a coordenadora da campanha na APA Guadalupe, Cícera Estevão Batista.

Fonte: JC
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