O badalado e problemático Litoral Sul de Pernambuco


Apesar de ser mais procurado por turistas que o trecho norte, Litoral Sul também sofre com precariedade estrutural.




Na continuação da reportagem iniciada na sexta (7) sobre a situação das praias pernambucanas para o verão que, extraoficialmente começou também ontem (a data oficial é o dia 21 de dezembro) você vai saber a condição em que se encontra o Litoral Sul do Estado. Apesar de badalado, ele também apresenta graves problemas, assim como o Norte. Nos dois dias em que a equipe de reportagem do JC percorreu os principais destinos da área (Tamandaré, Carneiros, Porto de Galinhas, Calhetas e Gaiubu) encontrou de tudo, desde praias quase privadas com acesso pago até péssimos acessos com placas quebradas e estradas quase intransitáveis. A fama do Litoral Sul é grande, da mesma proporção dos obstáculos encontrados pelos turistas que desejam aproveitá-lo.


O difícil acesso a Tamandaré

Outro destino bastante requisitado no verão é o município de Tamandaré, no Litoral Sul. Pena que é impossível achá-lo. Pelo menos no que depender das placas de sinalização colocadas na PE-60. Todas estão destruídas. Algumas arrancadas, outras pichadas e outras encobertas pelo mato. Os moradores dizem que todos os dias chegam turistas na cidade sem saber com certeza onde estão, isso quando não vão parar nos municípios vizinhos pensando se tratar de Tamandaré.


A praia do local é tranquila e organizada, mas a atração principal é mesmo a dos Carneiros, que fica ao lado. Para chegar é preciso pegar a PE-72, mas para chegar até a praia em si é preciso caminhar bastante ou pagar. Isso mesmo. Quase uma praia privada. Todas as propriedades da região são particulares e cobram de R$ 30 a até R$ 100 para as pessoas estacionarem e terem acesso à areia. O único caminho até a faixa de praia é por um caminho estreito de menos de três metros de largura entre dois estabelecimentos, cheio de mato e lixo, e com um quilômetro de extensão.


A outra opção é caminhar mais do que esta distância pela areia da praia para se chegar até a Igreja de São Benedito, principal ponto turístico do local. A reclamação dos turistas é justamente sobre a dificuldade de conhecer um local tão conhecido, mas até então não sabiam que tão problemático e até caro.


Durante uma semana, a reportagem tentou contato com a Prefeitura de Tamandaré para tentar resposta sobre as demandas turísticas do município, mas não obteve resposta.


A praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, no Grande Recife, é conhecida por ter sido eleita várias vezes como uma das mais belas do Brasil. Mas tem problemas que, justamente devido à fama, já poderiam ter sido resolvidos para facilitar suas tão propaladas belezas. Partindo do Recife existem duas rotas para se chegar até ela e outras praias muito procuradas praias da região. Uma é a via pedagiada, paga e com ótima estrutura, e a outra é a velha PE-60 que em muitos trechos não tem acostamento ou, quando tem, se encontra esburacado.


Logo ao chegar no local já aparece o primeiro problema: a falta de vagas de estacionamento. É preciso paciência para achar uma vaga. A equipe de reportagem levou cerca de meia hora para encontrar uma e, ainda assim, ficar à mercê dos flanelinhas que cobram o que bem entendem pelo espaço público. Outra queixa recorrente dos turistas diz respeito à quantidade e à abordagem das pessoas oferecendo serviços e produtos desde o calçadão e, principalmente, na areia. Eles reclamam do assédio exagerado e da forma invasiva de se dirigir dos ambulantes e dos funcionários das empresas e cooperativas de turismo. Ou seja, os visitantes enfrentam congestionamento nas estradas e na própria faixa de areia.


Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Ipojuca não se pronunciou sobre a questão das vagas de estacionamento. Sobre as abordagens dos vendedores, afirmou que “se for na orla, nada impede, até porque todos os ambulantes são cadastrados”.


Esgoto é nota destoante em Gaibu


Para quem não quer ir muito longe da capital para curtir uma praia, as do Cabo de Santo Agostinho sempre aparecem entre as mais requisitadas. Proximidade, no entanto, que não significa estar longe de problemas. Pelo contrário, eles já começam pelo acesso. No caso da pequena e charmosa Calhetas o visual paradisíaco contrasta com a horrível única via, não à toa chamada de Estrada da Lua, tendo em vista suas enormes crateras. São quase dois quilômetros que mais parecem um rally. Ao concluir a prova o turista ainda tem que enfrentar os flanelinhas cobrando estacionamento e o acesso à praia por um caminho de pedras com descida íngrime.


Bem ao lado de Calhetas fica Gaibu, onde já no início, junto aos paredões de pedra, se encontra uma cena que impressiona e revolta: um canal que corta toda a cidade despejando esgoto diretamente no mar, bem próximo da área em que banhistas desavisados curtem o local. O mau cheiro incomoda bastante a todos, turistas, moradores e comerciantes. Todavia, segundo todos, a situação é a mesma há anos.


A Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho esclarece que a Estrada da Lua é parte integrante do Parque Municipal Armando Holanda Cavalcanti, via que não pode sofrer manutenção por ser área tombada pela Fundação do Patrimônio Historico e Artistico de Pernambuco e de preservação do Porto de Suape. Quanto a Gaibu, a gestão diz ter realizado trabalhos de educação ambiental junto com a Compesa e Ministério Público para conscientização dos habitantes em relação a impotância do descarte do resíduo ser de forma adequada ao saneamento existente no local.


Fonte: JC

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