Pacientes do Hospital Colônia em Barreiros são transferidos e unidade será fechada

Unidade hospitalar, administrada pelo Governo de Pernambuco, deve ser fechada em breve. Fiscalização realizada em dezembro detectou sérios problemas.



Neste mês de março, mais oito pacientes de longa permanência do Hospital Colônia Vicente Gomes de Matos, em Barreiros, foram transferidos para nova moradia, na cidade de Serra Talhada, no Sertão do Pajeú. Trata-se da primeira Residência Terapêutica (RT) implantada na cidade para receber pacientes em apoio ao processo de desinstitucionalização vivenciado pela unidade há quase dois anos, com uma programação de altas hospitalares e encaminhamentos para RTs, sendo o primeiro sob gestão estadual a promover a desospitalização de pacientes de longa permanência.

O hospital, que tinha previsão de ser fechado no final do ano passado, passou por uma fiscalização realizada em dezembro de 2018 por uma força-tarefa articulada pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), diversos órgãos e entidades, entre eles, o Ministério Público do Trabalho (MPT). A força-tarefa atuou em hospitais psiquiátricos espalhados em todo o Brasil. No Hospital de Custódia Colônia Vicente Gomes de Matos, contou com a atuação do Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE). A unidade, que é administrada pelo Governo do Estado, apresentou problemas em relação ao tratamento dos pacientes e nas de trabalho dos empregados.

O grupo de trabalho em Pernambuco foi formado por representantes do Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE), a Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), do Conselhos Regionais de Medicina (Cremepe) e Psicologia (CRP), do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Ministério Público do Estado (MPPE) e pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE/Ministério do Trabalho). A equipe contou, ainda, com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Na ocasião a vice-presidente do Coren-PE, Luciana Aguiar, disse: “A situação desses hospitais psiquiátricos realmente chamam atenção. Aqui, no Hospital de Barreiros, a situação é delicada. Verificamos que o Hospital possui um enfermeiro e oito técnicos de enfermagem por escala para atender 73 pacientes, inclusive pacientes em estados que requerem bastante cuidado, ou seja, uma realidade que demonstra que a assistência aos pacientes fica bastante prejudicada. Sabemos que o Hospital está para ser fechado até o final de dezembro e que os pacientes devem ser encaminhados para outros equipamentos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) como residências terapêuticas, conforme a Política Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde, porém é 
preciso avaliar bem, já que muitos municípios não possuem residências deste tipo”.

Oriundos do sertão pernambucano ou de municípios circunvizinhos, os pacientes do “Hospital Colônia” são do sexo masculino, com faixa etária entre 40 e 73 anos, e têm entre e 24 anos de internamento em hospitais psiquiátricos. O hospital, que já chegou a ter 122 internos, atualmente, conta com 62 remanescentes, que também serão gradativamente acolhidos pelas suas famílias ou transferidos para serviços de RT a fim de darem continuidade aos seus tratamentos nos Centros de Apoio Psicossocial (CAPs) dos municípios de origem.

“Este é um trabalho contínuo que vem sendo desenvolvido ao longo dos anos, tendo em vista o cuidado em liberdade e a substituição progressiva dos leitos psiquiátricos pelo atendimento prestado por uma Rede de Atenção Psicossocial (RAPs), em todas as regiões de saúde que compõem Pernambuco. Os pacientes passam longos períodos dentro de uma instituição e um dos pontos mais relevantes nesse processo social é a compreensão da família e da comunidade às novas possibilidades de convivência neste retorno ao local onde estes pacientes possuem vínculos”, afirma o gerente de Atenção à Saúde Mental da Secretaria Estadual de Saúde (SES), João Marcelo Costa.

Histórico - Registrada, inicialmente, como Colônia de Alienados e Médicos Alienistas, quando iniciou o atendimento a pacientes psiquiátricos em 1931, a unidade passou a se chamar Hospital Vicente Gomes de Matos após o falecimento do primeiro diretor, em 1958. Na mesma época, deixou de ser mista para receber apenas pacientes do sexo masculino.

O governo do estado não marcou nova data para o fechamento, nem informou o que será feito com o prédio.

Com Informações do Jornal Grande Litoral 

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